Você sabe o significado da música O Cristo de madeira?

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Ana Carolina é uma das maiores vozes da chamada nova MPB, mas o que impressiona em sua carreira não é apenas o seu canto, mas também suas composições. Para os machistas que diziam que as mulheres cantavam muito, mas não compunham, Ana Carolina apareceu com letras e melodias belíssimas, sem dever nada para as composições clássicas.

O cristo de madeira é um exemplo de grande composição. Acompanhada por violinos, a letra da canção conta a vida de um homem que ao sair da prisão vê que seu mundo está de cabeça para baixo. tudo o que ele havia conquistado antes da cadeia se perdeu e o preconceito impede que ele arrume um emprego. A história da canção se assemelha a vida de muitos homens que, muitas vezes estão recuperados, mas não conseguem voltar a sociedade, pois não basta apenas a vontade do ex-presidiário, mas também a confiança das pessoas, que na maioria das vezes não confiam neles.

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A letra da canção também cita e critica a religião e a cultura que se aprende dentro da cadeia. O homem ora para o cristo de madeira, mas nunca resolve.

Ana Carolina canta a música com uma voz possante, afirmativa, dando a impressão de revolta. Assim, O cristo de madeira se torna uma canção de protesto, mas realista.

“Difícil era quem aceitasse um cara que já matou”

O Cristo de Madeira

Ana Carolina

Saiu da cadeia sem um puto
Sol na cara monstruoso
Ele é da alma “trip” dos malucos
Belo, mas nunca vaidoso
Um dia comparado a mil anos
Saiu lendo o Evangelho
Vida e morte valem o mesmo tanto
Evolução do novo para o velho
Puxava seus cabelos desgrenhados
Vendo a vida assim fora da cela
Não quis ficar ali parado
Aguardando a sentinela
A vida parecia reticente
Sabia do futuro e do trabalho
Lembrou de sua mãe já falecida
Verdade era seu princípio falho
Pensando com rugas no rosto
Olhava a massa de cimento
A sensação da massa fresca
Transmitia às mãos o seu tormento
Trabalhava, ganhava quase nada
Fazendo frio ou calor
Difícil era quem aceitasse
Um cara que já matou
Se olhou como um assassino
No espelhinho da construção
O que viu foi sua cara de menino
Quando criança com seu irmão
Aonde anda seu irmão?
Em algum buraco pelo chão
Ou frequenta alguma igreja
Chamando a outros de irmãos
Sábios não ensinam mais
Refletiu sua sombra magra
Com o pouco que raciocina
Ele orava, ele orava
Mas o Cristo de madeira não lhe dizia nada
Mas o Cristo de madeira não lhe dizia nada
Mas o Cristo, brincadeira, não lhe dizia nada