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SANÇÕES INTERNACIONAIS PODEM TRANSFORMAR A ECONOMIA MUNDIAL?

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O presidente da Rússia, Vladmir Putin, firmou um decreto para proibir ou restringir a entrada de produtos dos países que se uniram às sanções contra o país. O decreto sobre a aplicação de determinadas medidas econômicas especias para garantir a segurança da Federação Russa foi firmado nesta quarta-feira, segundo informa o site de Kremlin.

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A previsão é que as medidas recém aprovadas tenham vigência de um ano. A partir de agora fica proibida ou restrita a entrada no território russo de produtos agrícolas, alimentos e matérias primas originários de países que tenham se unido à política de sanções de Washington e Bruxelas.

As medidas acordadas por Putin se aplicam concretamente aos Estados que “tenham decidido impor sanções econômicas contra pessoas jurídicas e/ou físicas russas ou tenham se unido a essa decisão”, consta no documento. Deste modo, a Rússia fecha seus mercados aos produtos dos EUA (Estados Unidos), UE (União Europeia), Noruega, Austrália e Canadá.

O presidente russo deu instruções ao governo para determinar os produtos que não podem ser importados e já está elaborando a lista dos produtos agrícolas e alimentícios cuja entrada ficará proibida, afirmou Natalia Timakova, porta-voz do primeiro ministro russo.

Adaptações do Mercado Interno Russo

A agroindústria russa tem capacidade suficiente para fornecer os produtos cuja importação foi proibida, segundo Maxim Protásov, da Associação de Produtores e Provedores de Produtos Alimentares. Muitas categorias de produtores russos estão dispostas a aumentar a capacidade de produção para conseguir esse objetivo, assegurou Protásov.

Ademais, o decreto de Putin fomentará o consumo de produtos ecológicos locais no mercado russo, opinou o presidente do Comitê da Duma Estatal de Questões Agrícolas, Nikolái Pankov.

Segundo o político, as medidas aprovadas pelo presidente russo também estimularão a produtividade da agricultura e atrairão mais investimentos empresariais nos ramos agrícolas correspondentes, o que resultará em aumento dos postos de trabalho no setor agroindustrial.

Nesta terça-feira, o chefe de estado russo transmitiu ao governo “instruções para preparar uma resposta cautelosa às sanções do Ocidente”. “É preciso agir com muito cuidado, a fim de apoiar produtores nacionais e não prejudicar os consumidores”, frisou o presidente.

Por que houve essa medida?

Em 29 de julho deste ano a União Europeia concordou em impor sanções econômicas à Rússia que afetam diretamente sua indústria petroleira, de defesa, produtos de dupla utilização e tecnologias sensíveis. As sanções entraram em vigor em 1 de agosto.


OBSERVAÇÕES

O que pode mudar?

É preciso ter cuidado neste momento para não suscitar nenhum tipo de histeria, sobretudo quanto a guerras. Há muitos sinais de que o mundo está em transformação política, mas ainda é difícil fazer previsões.

Na notícia da RT em espanhol é possível perceber grande apoio de países da América Latina à medida na seção de comentários. Isso pode ocorrer, além de por evidentes fatores culturais, em função da recente criação de um novo centro financeiro entre os BRICS. Não estamos aqui a elogiar essa situação, porque entendemos que se mantém a mesma lógica capitalista de exploração e especulação financeira, mas isso pode descentralizar parte deste poder econômico internacional, favorecendo a América Latina consideravelmente.

Os países mais especulados para suprir eventuais necessidades russas são Cuba, Nicarágua, Venezuela e Brasil. Atualmente, a produção nacional voltada à exportação favorece mais ao eixo EUA-UE, mas isso vem lentamente se transformando com a entrada da China no mercado competitivo internacional. Este pode ser um momento para mais transformações desse cenário.

É também importante observar que na quarta-feira a Itália anunciou recessão e a economia francesa está bastante instável. Portugal recentemente teve de injetar dinheiro em bancos e mesmo a Inglaterra vem dando sinais de risco. Após a medida, diversas multinacionais da UE já anunciaram prejuízos, sobretudo montadoras, petroleiras e do setor energético.

Segundo Luc Barbier, presidente da Federação de Produtores de Frutas Francesas (FNPF), “o risco para os europeus é perder mercados para Ásia e América Latina, que depois serão muito difíceis de reconquistar”.

Transformações econômicas

Entendemos que este é o momento para observar e aprender, economicamente, e que não há razões para temores de guerra. Guerras acontecem quando núcleos frágeis ameaçam o interesse do capital vigente. Nas atuais conjunturas, se ocorrer realmente deslocamento de poder político e econômico para um novo centro, grandes investidores têm mais a ganhar transferindo seus investimentos que tentando minar o processo, pois se beneficiam de mercados em expansão.

Pensando individualmente, o cenário que se apresenta ao Brasil é promissor para as regras deste sistema. Pensando internacionalmente, pode ser que alguns subam e outros desçam na escala de exploração, mas é improvável que se afete o cerne do parasitismo econômico.

Estaremos atentos, e quem tiver mais informações sobre este processo, por favor, nos encaminhe. Porque aqui no Brasil a grande mídia só mostrará as lamentações pela economia europeia e sobre as injustiças sofridas pelas multinacionais em função desses estados cruéis. Ô dó!

Oportunidade ecológica

Outro ponto que a mídia deve ignorar e a que nós devemos prestar muita atenção é que num cenário de fortes embargos internacionais, a produção de alimentos deve favorecer mercados locais (proposta defendida pela grande maioria dos ambientalistas e definitivamente menos impactante ao meio ambiente, mas tradicionalmente negada por grandes investidores). Não havendo pra onde correr, talvez se invista mais dinheiro nisso e se perceba novas formas de distribuir alimentos.

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FONTES

– Página de Kremlin 

(russo)
– RT Actualidad (espanhol)
– Observador
– RFI

VIA: Anonymous FUEL

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