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O sonho acabando: Distopia à Brasileira

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Nada de anormal perpassa no Brasil atual se analisarmos os meandros da política nacional, ao longo da cronologia histórica desde a chegada dos portugueses e a instauração de uma colônia lusa cá neste lado do Atlântico.  Somos espoliados cotidianamente pelas diversas facetas do poder em que certos grupos se utilizam para dominar a maioria. Traço comum de nossa História, ela é falsamente velada pelos mitos de “cordial homem brasileiro”, afeito a não se incomodar, alguém pacífico, avesso a transtornos, revoltas e inconformismos afins. No entanto, basta dar uma olhada nos desenrolares que perceberemos facilmente que nossa trajetória, desde o desembarque das caravelas até os dias atuais, foi banhada de sangue, luta, opressões, constantes derrotas da população e vitórias de coronéis e mandões que se alternam no poder, usando do povo como bucha de canhão para seus próprios interesses de planos de perpetuação de poder.

O sonho acabando: Distopia à Brasileira

São inúmeras as revoltas, batalhas e lutas por direitos que ocorreram neste território tupiniquim. A resistência quilombola encarnada na figura de Zumbi dos Palmares, passando pela esquecida luta dos habitantes baianos pela independência do Brasil em 1822, das inúmeras revoltas durante o período regencial como a cabanagem e a revolta Farroupilha, da greve geral de 1917 até a campanha das diretas já e da redemocratização nos anos de 1980.  Fizeram-nos acreditar que somos uma nação construída através da passividade e da cabeça baixa perante a ordem vigente, ordem instituída a base do porrete, coação, exploração de corpos e mentes para os objetivos de um pequeno grupelho que estende seus tentáculos determinando as normativas da vida brasileira nas mais variadas formas de controle, que como diria aquele velho samba-enredo, está ai “desde os tempos mais primórdios”.

Aqueles que detêm os mecanismos de mandar e desmandar sobre as pobres almas de nossa população instauraram aos olhos e corações da massa o tacanho senso comum de que se indignar e protestar contra as injustiças e agruras que atingem nossa jovem nação desde seu nascedouro é algo maligno e de certa pretensão imoral. Aqueles que partem por esta via encarnam a figura do mau-caráter da vez, o vilão perfeito para estampar as capas dos noticiários. Isto vem a calhar para os planos dos velhos Patriarcas bufões que comandam a fauna da política nacional, associar reivindicação por direitos como algo abominável faz com que, à vista da sociedade, aqueles que partem pela via de lutar por condições melhores de vida, necessitarem mais de um exorcista para tirar seus demônios (geralmente exorcizadas pelo cassetete de alguma autoridade), do que serem ouvidos ao clamar por seus direitos.

Isso está diretamente ligado aos últimos acontecimentos da política nacional, como Impeachment, casos de corrupção e outros açoites aos bens públicos realizados por nossa elite politica. Na verdade tudo isso é um continuísmo do projeto destes para manter sobre seus braços todas as benesses de ter como profissão a política, e não fazer dela um ato que vise o bem estar da sociedade em geral. O que vem a baila com isso é o plano maior de sufocar a nossa indignação e revolta, levando a algo bem pior do que reprimir estes dois sentimentos: é a destruição de sonhos e utopias pelo medo, desolação, conformismo e da instauração de um ambiente onde nenhuma perspectiva de mudança existe.

Nosso congresso nacional, com a recusa de aceitar a denuncia comprovada contra o atual presidente, só demonstra o mais do mesmo que ocorre nos chorumes do que é o modelo político nacional: uma maquina de moer sonhos e ideias em nome da manutenção de um status quo que tem como meta  os últimos passos para definitivamente concretizar a grande distopia que possamos chamar de “ponte para o futuro”. Ficou claro que para a corja que senta no legislativo, executivo e judiciário brasileiro, os preceitos democráticos são descartáveis e passíveis de uma interpretação que vise somente o beneficio de sua patota. A diferença entre estes nos objetivos de se manter no controle do jogo sujo da política nacional é que alguns ao invés do terno, usam uma toga.

No nosso modelo de sociedade, a democracia está sendo a dor de apendicite para aqueles com o poder econômico, social, midiático e político se manterem sobre a crista da onda. Uma sociedade democrática se tornou um entrave para seus objetivos, contratos, especulações financeiras e guerras lucrativas. Vamos caminhando a passos largos para o abismo, aonde tudo vai bem mesmo sendo explorados até a ultima gota de nossa energia física e mental, pois temos agora memes e selfies do instagram para nos alegrar e alienar do chicote que nos açoita. Vivemos o início da distopia brasileira, nos tornamos uma nação de idiotas no cabresto, Tola gente seguindo a rotina bovinamente, como gado pastando fingindo que desconhece o seu fim como carne fresca no abatedouro mais próximo.

Isto é fácil de verificar, basta acessar qualquer rede social da qual participamos. Disputas tolas de argumentação borbulhando discursos de ódio; destilando mesquinharias racistas e preconceituosas contra minorias; endeusamento de figuras públicas que não contribuem em nada; concursos para ver quem “lacrou” mais; quem obteve um número maior de likes; aqueles textões por ter recebido seu Smartphone com defeito, ignorando o fato de que o defeito provavelmente veio de alguma linha de montagem utilizando trabalho escravo em uma fábrica escondida deste planeta poluído pela humanidade desumana. O sustentáculo de nossa sociedade espetáculo, ao final das contas, é a doce hipocrisia.

Vamos seguindo assim, não pensando em crise, apenas trabalhando. Cremos que nada vai mudar e que a banca dos coronéis seguirá tocando sua sinfonia de destruição, dos simplórios sonhos de vida dos brasileiros de terem dignidade enquanto gente e serem reconhecido como tal.  Hoje vivemos,a bem da verdade, um estado totalitário, não aquele onde se proíbe o voto, o livre pensar e o direito de ir e vir. Nosso estado atual é totalitário porque ele age da maneira mais torpe do totalitarismo: sufocando sonhos.


Por Guilherme Lima


Pensador Anônimo

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