Recentemente, a foto de Alejandro Navarro, professor nos Estados Unidos que passou as últimas horas de sua vida revisando provas, se tornou viral. A filha, que também é professora, diz “ficamos tantas horas extras trabalhando, horas que muitos não percebem. Mesmo em uma pandemia, mesmo em uma crise sanitária, os professores se preocupam em cumprir suas funções”, e termina por fazer um chamado a não naturalizar o trabalho fora do horário de trabalho.

Enquanto a grande mídia mundial e inúmeros blogs ficou encorajada a escrever sobre “o professor devotado” que morreu fazendo um trabalho duro, esta é a situação de centenas de milhares de professores em todo o mundo neste exato momento, e não é heroísmo, é exploração e é vergonhoso.

São poucos os países onde professores são tratados com dignidade, tendo seus horários respeitados e com remunerações justas. Mesmo sendo uma da profissões mais necessárias para uma sociedade civilizada e desenvolvida, os professores são jogados para a periferia social, muitas vezes totalmente marginalizados.

Agora, diante de um fato triste como este, tentam romantizar e normalizar algo que não é nada normal e o mais distante possível de algo romântico, pois nem diante de uma enfermidade em uma pandemia, este profissional pôde dedicar-se a cuidar de si mesmo, ou seja, do seu bem estar, da sua própria saúde.

Vergonhoso é até mesmo um termo leve, se usado para classificar a forma como os profissionais da educação são tratados, não apenas nos EUA, onde este fato ocorreu, mas, principalmente, em países como o Brasil.

Uma sociedade séria garante os direitos aos seus educadores, garante que não trabalhe além da sua grade de horas aula, garantindo assim, realmente, os horários de descanso e folgas. Isso sem entrar na questão salarial, pois o salário de um professor deveria servir como teto salarial de uma sociedade, ou seja, político nenhum com salários e benefícios maiores que as de um professor.

Mas o que mais impressiona, sobre este fato em especial, é a romanização ridícula de um fato que deveria ser de revolta e repulsa. Ou alguém em sã consciência consegue ver romantismo na morte de um trabalhador que morre trabalhando no momento que deveria estar cuidando unicamente da sua saúde? Isso é exploração, e onde há romantismo nisso?

Tá mais pra “Cisne Negro” do que pra poesia ou conto de heroísmo!