Um menino de 7 anos está quebrando barreiras para pessoas com problemas de pigmentação da pele. Samuel Silva, natural da Bahia, nasceu com piebaldismo, uma doença genética rara que resulta em partes de sua pele brancas por falta de melanina. O piebaldismo é comum em sua família, sua mãe e sua avó têm a mesma marca distintiva em suas testas. Entretanto, Samuel foi o único a direcionar seu olhar único para a carreira de modelo.

Demorou gerações para a família abraçar sua aparência, no entanto, a avó dele, Dona Dionísia, de 65 anos, era tanto agredida pelas manchas brancas que usava blusa e calça compridas para cobrir a pele.

A mãe de Samuel, a técnica de unhas Nivianei de Jesus Purificação, de 41 anos, fez o oposto, vestindo tops e saias e abraçando a cor da pele com confiança. Quando as crianças de sua vizinhança começaram a chamá-la de “Free Willy” em alusão à baleia orca no filme de 1993, ela aceitou o abuso com calma e assumiu o apelido.

Ainda assim, ela esperava que seus filhos não tivessem que suportar os constantes olhares de estranhos, muitos dos quais os pararam para perguntar se eles haviam experimentado queimaduras ou algum outro trauma. A filha de Nivianei nasceu sem piebaldismo. Quando Samuel nasceu em 2013 com a condição rara, a família primeiro tentou disfarçar raspando sua cabeça para esconder as marcas, que também aparecem em seus cabelos.

A condição, que afeta 1 em cada 20 mil bebês nascidos, não têm efeitos negativos para a saúde. Entretanto, a alienação social pode ser devastadora para as crianças.

“Nivianei sabia que teria que fazer tudo o que pudesse para ajudar Samuel a crescer com orgulho de sua pele”, disse o tio de Samuel, Julio Sanchez Velo, de 53 anos, ao Media Drum. Mas “a família o educou para aceitar a si mesmo e suas diferenças”.

 

Em fevereiro do ano passado, eles criaram uma conta no Instagram para compartilhar fotos impressionantes de Samuel. Atualmente, o autoproclamado “supermodelo” tem mais de 30 mil seguidores na plataforma.

“O cabelo de Samuel, em particular, é deslumbrante”, disse Júlio. “Depois que eles deixaram crescer e se tornar um afro, ficou incrível”.

A conta na internet chamou a atenção da agência de modelos infantis Sugar Kids mais tarde naquele ano. Ele então se tornou uma sensação da noite para o dia. Seu rosto apareceu nas revistas Júnior Style London, Bazaar Kids, Dixie Magazine e outras. Ele também fez sua estreia na passarela durante a semana de moda de Toronto, a semana de moda de Paris e a semana de moda London Kids.

“Ele realmente adora modelagem. Ele é muito artístico e gosta de andar na passarela e posar para fotos”, disse Júlio.

Samuel espera que outras crianças que podem ser ridicularizadas por sua aparência encontrem maneiras de aceitar sua aparência.

“Samuel sabe que ele é diferente e assumiu isso desde muito jovem”, disse Júlio. “Ele se tornou a face da aceitação e inclusão na indústria da moda infantil, portanto, esperamos que outras crianças que se sentem diferentes sobre si mesmas vejam como Samuel está se saindo e se sintam bem com suas próprias diferenças”.

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