A indiana de 21 anos Shreya Siddanagowder faz parte do seleto grupo com menos de 100 pessoas que recebeu um transplante de mãos nos último 25 anos. O caso dela foi amplamente documentado em 2017, quando a cirurgia foi conduzida, mas recentemente a jovem voltou aos noticiários por um motivo inusitado: as mãos transplantadas, que eram de um homem de outro tom de pele, adquiraram a mesma cor que seu corpo.

“Não sei como ocorreu a transformação. Mas agora parece que essas são minhas próprias mãos. A cor da pele ficou muito escura após o transplante, não que isso fosse minha preocupação, mas agora corresponde ao meu tom de pele”, disse a jovem em entrevista ao Indian Express.

Siddanagowda teve as duas mãos transplantadas após perder os membros em um acidente de ônibus. Ela foi operada no Hospital Amrita, em Kerala, sudoeste da Índia, e seu procedimento foi o primeiro entre pessoas de gêneros diferentes realizado na Ásia.

Os especialistas acreditavam que a diferença de gêneros seria um desafio devido aos hormônios, e por isso mativeram cuidados redobrados durante os anos seguintes à cirurgia. A surpresa, entretanto, aconteceu quando os médicos da jovem perceberam a mudança de cor dos tecidos transplantados.

“Esperamos publicar dois estudos sobre transplante de mãos em uma revista científica. Isso levará tempo. Estamos registrando a mudança de cor no caso [de Shreya], mas precisamos de mais evidências para entender o processo”, afirmou Subramania Iyer, chefe de cirurgia plástica e reconstrutiva do Instituto Amrita, ao jornal Indian Express. “Um soldado afegão que recebeu um transplante de mão de um doador do sexo masculino também havia notado uma ligeira mudança no tom de pele, mas morreu no Afeganistão na semana passada. Não pudemos documentar muita coisa.”

Como explicou o cirurgião plástico Mohit Sharma, que fazia parte da equipe que operou a menina, pesquisas sobre casos entre pessoas de gêneros diferentes são escassas. “Houve um transplante de mão de mulher para homem no Ocidente, mas não houve pesquisas científicas sobre o que acontece depois”, disse o profisisonal.

Segundo Sharma, demora cerca de um ano para que o canal linfático entre a mão do doador e o corpo do hospedeiro se abram completamente, permitindo o fluxo de fluidos. “É possível que as células produtoras de melanina [cuja função é pigmentar a pele] substituam lentamente as células do doador — e isso leve à mudança”, teorizou o médico.

As mãos de Siddanagowda ainda não são completamente funcionais, pois um de seus nervos não está funcionando como esperado, e os médicos também não descobriram o que causou a mudança de cor dos tecidos. Ainda assim, a jovem parece feliz com os resultados do transplante: no semestre passado ela mesma respondeu às suas provas da faculdade — escrevendo com as próprias mãos.