Graciliano Ramos

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Utilizando-se de uma linguagem seca, cortante e precisa, acentuada pelo pessimismo e por uma visão opaca do mundo, Graciliano Ramos fez de seus livros uma profunda análise da condição humana, revelando o que há de mais recôndito no homem.

Sua fonte de inspiração: o sertão, o cangaço, a caatinga, a seca, o misticismo, o código primitivo de honra, a infância marcada pelo autoritarismo do pai, o funcionário público, a oligarquia política e o vagabundo.

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Graciliano Ramos – 27-10-1892, Quebrangulo (AL) – 20-3-1953, Rio de Janeiro (RJ)​

Apresenta ao leitor personagens marcados pela tragédia, como em Angústia, considerada sua obra capital, em que o tímido e solitário Luís da Silva, ao perder a mulher por quem se apaixonara para um outro mais ousado e rico, estrangula o rival e, após atravessar uma longa doença, conta a própria história. E Paulo Honório, em São Bernardo, que casa com uma mulher pura, mas, habituado à brutalidade e ao poder, leva-a ao suicídio e procura equilibrar-se ao escrever a narrativa da vida conjugal.

Natural de Quebrângulo, em Alagoas, e primogênito de um casal de sertanejos que teve 16 filhos, passou a infância acompanhando a família em sucessivas mudanças para Buíque (PE) e Viçosa (AL). O ambiente familiar era rude: “Vivíamos numa prisão, mal adivinhando o que havia na rua”, disse. Tornou-se um homem impenetrável, carrancudo, taciturno, que vivia para se resguardar. Sem curso universitário, estabeleceu-se em Palmeira dos Índios (1910), trabalhando como comerciante na loja de tecidos do pai e jornalista local.

Na cidade, foi eleito prefeito (1928-1930). O primeiro romance,Caetés, foi publicado em 1933. Em seguida vieram São Bernardo (1934) e Vidas Secas (1938). Desta última foi feita uma versão cinematográfica de Nelson Pereira dos Santos (1964). Vivendo em Maceió, de 1930 a 1936, foi nomeado diretor da Imprensa Oficial e Instrução Pública de Alagoas. Ficou preso como subversivo de 1936 a 1937. Seu livro Memórias do Cárcere (1953, edição póstuma) é depoimento desse episódio. Após ser libertado, fixou residência no Rio de Janeiro, onde se filiou ao Partido Comunista (1945). Publicou ainda Infância (1945), Insônia (1947),Viagem (1953, edição póstuma), entre outras.