Brasil: É corrupto julgando o corrupto

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Acusado por corrupção, o presidente do Brasil poderá ser salvo pelos políticos também sob suspeita

Na segunda-feira, o presidente do Brasil tornou-se o primeiro líder do país a ser acusado de corrupção. Agora, o destino de sua administração está nas mãos do Congresso do Brasil – um corpo que também está enredado no enorme escândalo de corrupção do país.

O procurador-chefe do Brasil acusou o presidente Michel Temer de aceitar milhões de dólares em subornos da maior empresa mundial de carnes, JBS. Os executivos da empresa testemunharam a polícia que o presidente tomou dinheiro em troca de facilitar incentivos fiscais e empréstimos de bancos estaduais.

Brasil: É corrupto julgando o corrupto

As acusações são o último golpe para o presidente impopular, cuja administração está pendurada por uma discussão depois que as gravações secretas surgiram no mês passado, que pareceu mostrar que ele endossa o suborno em uma conversa com o CEO da empresa de embalagem de carne. Os promotores acusam Temer de orquestrar um esquema de suborno de US $ 11,5 bilhões com a JBS nos últimos nove meses.

A câmara de deputados do Brasil, repleta de membros do Congresso que enfrentam suas próprias sondas de corrupção, agora deve deliberar se a o Supremo Tribunal Federal poderá julgar o presidente em ação penal. Se votarem para enviá-lo a julgamento, Temer será colocado em uma licença de seis meses, e o presidente da casa, Rodrigo Maia – ele mesmo sob investigação – assumirá o cargo de presidente interino.

“É corrupto julgando o corrupto”, disse David Fleischer, especialista em política brasileira e professor da Universidade de Brasília.

Temer subiu ao cargo em 2016 depois que sua antecessora, Dilma Rousseff, foi acusada. Antes de assumir o cargo, ele prometeu reprimir a corrupção. Ele rapidamente demitiu assesores de confiança e membros do gabinete suspeitos. Apesar da pressão de seus aliados, ele apoiou publicamente a Operação Lava Jato, uma extensa investigação de corrupção que ameaçou sua base no Congresso. Mas menos de um ano em seu mandato, Temer encontra-se no cerne da investigação e nas mãos de alguns desses membros do congresso.

Enquanto os aliados de Temer dizem que ele pode reunir os 172 votos necessários para bloquear o julgamento de ir para a frente, sua base aliada pode quebrar à medida que surgem novas acusações. O Procurador-Geral da República do Brasil deverá acusar Temer de diferentes formas de obstrução da justiça e de participar de crimes organizados nas próximas semanas.

“Se isso perdurar por quatro ou cinco meses, podemos ver muitas novas acusações. Isso crescerá muito e irá colocar muita lenha na fogueira”, disse Fleischer.

Nesse ponto, os membros do Congresso, que enfrentam as eleições no próximo ano, podem se curvar à crescente pressão pública para expulsar Temer. Suas classificações de aprovação flutuam em 7%, uma baixa recorde para um presidente brasileiro.

O presidente negou com veemência as acusações sem fundamento em um discurso veemente na tarde de terça-feira. “Assim como voltamos ao país, nos tornamos vítimas dessas mentiras politicamente motivadas”, disse Temer, cercado por seus aliados remanescentes.

As acusações de corrupção marcam a segunda ameaça ao seu mandato este mês. O presidente escapou por pouco da convicção de um dos principais tribunais do país depois que ele foi acusado de aceitar doações ilegais durante sua campanha de 2014.

Mesmo que ele sobreviva a esta rodada de escândalos, no entanto, o bloqueio político comprometeu a capacidade de Temer de mediar entre os 35 partidos políticos do Brasil e paralisou as reformas trabalhistas e trabalhistas que prometeu. Como membros de sua própria coalizão pedem que ele desista, Temer pode perceber que o Brasil é ingovernável sob seu mandato.

“Michel Temer está fingindo governar o país”, disse Renan Calheiros, líder do Partido do Movimento Democrático de Temer. “Onde ele está nos levando?”


Via: Washingtonpost – traduzido por Natalia Damasio


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