Política

Bolsonaro: o infeliz exemplo que “a Lei de nada serve”. O crime organizado, agradece!

Do ponto de vista moral e ético, a partir do mencionado na Reunião Ministerial do dia 22/04/2020, qual a diferença entre o Presidente Jair Messias Bolsonaro, o mensalão do PT, o escândalo da Lava-Jato e o escândalo do Triplex do Lula? Absolutamente NADA! Assim como muitos defendem que o Presidente é tão “verdadeiro” naquilo que diz, que ele não é homem de “meia verdade”, assim também não existe “meia corrupção”.

Nem precisamos mencionar o que deve significar a frase “não vou esperar foder alguém da minha família“, porque já dizia o ditado muito antes dos nossos avós: “quem não deve, não teme!” Contudo, tentar manipular o poder público em benefício próprio; tentar esconder para debaixo do tapete algo que muito provavelmente não deva estar de acordo com a Lei, através da força do seu cargo como Presidente, isso também é um ato abusivo de corrupção! Dessa vez não é a “Globolixo”, nem os “esquerdopatas”, nem a dita “conspiração que ameaça derrubar o Presidente do poder” que o denuncia. Dessa vez é a própria voz do Presidente que fala por si na reunião. Uma voz que mesmo descontextualizada da reunião, assume por si uma interpretação hermenêutica.

Além disso, nem mesmo o linguajar chulo que o Presidente utiliza, de muito baixo nível, e que os seus filhos também utilizam pelas redes sociais, causa um mal estar significativo aos bolsonaristas; nem mesmo a bancada evangéiica que o refere por “homem de Deus” parece demonstrar significativa objeção a esse linguajar, se comparado ao apoio que lhe conferem.

Do outro lado da questão estamos nós o povo, cidadãos dessa nação esgotada pela velha política; esgotados pelos desmandos da politicagem que pensa poder resolver tudo a margem da Lei. Onde se pensa haver mais direitos que deveres.

Ao mesmo tempo, compreensível que estejamos esgotados e sedentos por uma solução. Porém, incompreensível é querer fazer justiça com as próprias mãos; querer passar por cima da Lei por julgar que ela é mais um “mimimi”, mais um “blá, blá, blá” jurídico e/ou intelectual que para nada serve. Isso o crime organizado também faz, ou seja, passar por cima da Lei!

Para completar, vale citarmos o momento caótico que atravessa a sociedade brasileira: temos o conhecimento a ser banalizado e dando espaço à ignorância; temos a cultura como sinônimo de extravagância; temos o argumento galgado na razão a ser considerado “mimimi”, “blá, blá, blá”,  “retórica” que para nada serve. Momento onde palavras de baixo escalão e argumentos sem nenhuma coerência racional ganham aplausos e admiradores. Em que ser prático é resolver os problemas da nação através do grito, e mesmo, da agressão física.

Bem verdade, muito pior que a demagogia populista de esquerda; que a “luta de classes” no imaginário marxista; que o comunismo suprimido por ditaduras totalitárias em todos os lugares que tentaram o implantar; muito pior que toda a “ameaça fantasma” imposta pelo fanatismo bolsonarista através das “fakenews”, enfim, está a crença absurda que a Lei de nada serve. Que a Lei favorece o bandido e expõe o “homem de bem”.

Não há a menor hipótese de compreensão por parte de um número expressivo de bolsonaristas que “fazer justiça com as próprias mãos”, equivalem-os as atitudes das facções criminosas que tanto desprezam. Esse e outros tantos paradoxos são impensáveis no discurso fanático bolsonarista. Uma vez que a Filosofia, a Sociologia, a Antropologia, a Psicologia e a História foram banidas dos seus aprendizados enquanto “disciplinas do mal”, “ideologias de esquerda”, o que pode nutrir os seus discursos? O reducionismo medíocre, evidentemente.

As consequências desastrosas dessa postura reducionista implicam diretamente na banalização da cultura, da comunição, da diplomacia, passando para um número expressivos de seus seguidores a falsa noção que a Lei de nada serve.

Através de uma via paralela a Lei e a Constituição Federal, Bolsonaro e seus seguidores mais fanáticos, querem resolver o Brasil através do grito e da força bruta, da violência virtual, psicológica e mesmo física, e para tanto, clamam pela intervenção das “Forças Armadas”. Na maioria das vezes, eles se esquecem que as Forças Armadas, o pilar da defesa nacional, não apenas está comprometida com ações de “grito” e de “força bruta”, e muito além, investe na ciência, na tecnologia, na formação acadêmica de seus profissionais; questões acadêmicas que para Bolsonaro tem pouca relevância no seu discurso reducionista.

Muito embora a mídia e os opositores relembrem, de modo legítimo e dentro dos preceitos democráticos conferidos à imprensa, os episódios controversos do Regime  Militar (testemunhos da opressão e mesmo da tortura, cuja Lei da Anistia beneficiou a militares e civis em relação a isenção penal de possíveis delitos de tortura ou terrorismo praticados durante o exercício do Regime), o fazem não gratuitamente, e sim, enquanto resposta a constante apologia à tortura que Bolsonaro, já fez ao longo de sua carreira polítca e sem o menor pudor. Ele apela à liberdade de expressão para pregar a intolerância; uma ameaça as demais liberdades, e portanto, “liberdade de expressão” de nada tem o seu discurso que não passa de uma incoerência capciosa.

Nesse sentido, o Presidente quanto seus seguidores mais fanáticos, exaltam o que há de mais negativo e tóxico à sociedade brasileira, atentando contra a Constituição Federal e banalizando as Forças Armadas enquanto “meio repressor” (como se as Forças Armadas fossem apenas os “tentáculos” à vingança do Presidente).

Mais que tudo: quem segue as Leis e a Constituição Federal, não faz justiça com as próprias mãos e nem se curva ao crime organizado; seja esse crime político ou marginal.

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Adriano Diverio

Bacharel em Filosofia pela Universidade Federal de Santa Catarina (2015)
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